Mande a um amigo

MENTIROSOS!




Esta Anedota que aqui transcrevo é uma Anedota Popular em Vários Países Lusófonos e Comunidades Lusófonas, um pouco por todo o Mundo. Sendo Impossível precisar e ou nomear seu Autor, Peter Lee Dolph irá de seguida Transcreve-la tal como a ouviu, tentando manter o seu Traço Original.


MENTIROSOS!

Naquele dia, o Sol Brilhava em Braga. Pedro dava o se Passeio Higiénico por São Victor quando lhe apeteceu beber uma boa e fresca Malga de Tinto Verde.
Um Pouco antes da Igreja de São Victor, havia ali uma Taberna. Dantes chamavam-lhe Casa de Pasto ou Tasca. Olhou para a Porta procurando um Sinal. Lá estava ele, o Famoso Ramo de Loureiro Pendurado por cima da Porta.
Era o Código que os Bracarenses usavam quando a Casa fornecia Bom Vinho.
Pedro ficou tranquilo, há muito tempo que não entrava naquele estabelecimento. Desde o Falecimento de seu Amigo João, companheiro Inseparável de Noites de Boémia, que evitava lá ir.
As Recordações por vezes doem muito.
Mas a Vida tem de continuar e desta vez entrou.
Por cima de uma máquina de café, na parede Frontal ao Balcão estava ainda a velha Placa. Tudo Parecia na mesma. A Placa de Madeira, ligeiramente Amarelecida pela Patine do tempo dizia: Nesta Casa, comem Pescadores, Caçadores e outros Mentirosos.
Com um Misto de Nostalgia e Tristeza, sentou-se na mesa onde ele e João jogaram muitas vezes uma Bisca Lambida de Sete.
No Balcão, um Homem de Cabelos Grisalhos perguntou: -Que vai ser Freguês?
Eu hesitei um Segundo e depois pedi-lhe: -Uma Malga de Tinto e dois Bolinhos de Bacalhau, pode ser?
-Claro-Disse o Homem.- Aqui há de tudo como na Farmácia. Do que há, Não falta nada.
A Malga de Tinto veio e dei um gole. Pomada da Boa.Bem Fresca. Escorregava bem. Os Bolinhos de Bacalhau a picar o Sal fizeram-me lembrar outra vez João. Ele era perfeitamente Guloso quando tinha Bolinhos de Bacalhau.
Estava em Silêncio e chegaram dois Cavalheiros.
Pelo que pude perceber eram ambos Pescadores.
O Homem do Balcão começou a sorrir e disse:- Já não falta tudo. Maria, trás uns Bolinhos de Bacalhau aqui prós Senhores. É o costume?
- Sim pode ser Tinto.
Escusado será dizer que era Vinho Verde. Maduro em Braga é Pecado.
Então começou um diálogo animado.
O Cavalheiro mais alto pergunta: - Então Júlio, conta lá o que pescas-te este fim de semana.
- Óh Pá, não me chateies, sabes bem que eu sou Pescador do Rio. O Pescador do Mar és Tu. Sabes que agora no Rio não aparece nada. Mas vou te dizer uma coisa, pela Primeira vez na minha vida, apanhei uma Truta na Ponte do Bico.
-Êh lá!!! - exclamou o Pescador do Mar.
-Truta em Palmeira? Conta lá Melhor isso.
-Estou a dizer-te Manel. Pesquei uma Truta com 25 Kg.
Não querendo dar Parte de Fraco Manel contra ataca.
-Olha por acaso também pesquei uma coisa espectacular- diz Manel com aquele Sorriso que seu Amigo tanto conhecia e receava. Júlio olhou, pousou a Malga de verde tinto e esperou de pé atrás sobre o que dali iria sair.
-Júlio, este fim de semana fui até Esposende.
A Malta arranjou um Barco e fomos para o Alto Mar.
-Ai Sim?- Diz Júlio-E Pescas-te o quê?
-Olha, eu deitei a cana e saquei um Lampião do Tempo das Caravelas e ainda vinha aceso.
Júlio ficou de queixo caído com a ousadia de Tamanha Patranha da parte de Manel. Pensou um minuto tentando Reagir ao Sorriso Vitorioso de Manel. Este, convencido que ganhara mais uma vez a parada pergunta:
-Como é Júlio? Não dizes nada?

Júlio levanta-se e diz para o Balcão:- Não vem mais vinho para esta mesa. De seguida vira-se para Manel e responde:
-Olha Manel, eu Tiro aí uns dez Kg. à minha Truta mas tu pelo menos apaga o Lampião.
Manel fica momentaneamente Bloqueado, coisa de dez segundos mas sabia bem quem ali estava.
Olhou para o Balcão e disse: - Óh Patrão, há Cartas?
Era o Prenuncio de uma Tarde de Sueca.
O Patrão responde:-É já a seguir. Não vão querer mais nada?
Júlio sabia que Manel tinha metido a viola ao saco e diz:- Olha, trás mais uma Malga e uns Bolinhos.
Voltei a Lembrar-me de João. Acabei de Beber o meu tinto, comi o outro Bolinho de Bacalhau. De Seguida dirigi-me ao Balcão para pagar e tive uma Surpresa.
O Homem do Balcão diz-me: -Olhe deixe estar. Está Pago, desta vez pago eu. O seu Amigo era Bom Homem. Tenho Saudades de o ouvir por aqui.-Também eu respondi-lhe com um Nó na Garganta. -Obrigado.
Naquela Tarde eu Recordei um Grande Amigo mas a Ferida da Saudade nunca Fechará esta Chaga.



Autor: A.P.P. (Anedota Popular Portuguesa)
Recolha Oral e Escrita...Peter Lee Dolph
Braga/Portugal.....28/01/2019


Autor ©: Peterleedolph , Braga 27/01/2019

http://www.peterleedolph.com

Last Modified: January, 28th 2019 Contact me Terms of Use & Privacy Go to top