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GATO PRETO

Passei ontem à noite

No Bairro Duarte Pacheco

E vi aquele gato preto.

Não era um gato com sorte.

Não tinha descontos para a Segurança Social

E trabalhava nas obras de manhã ao anoitecer.

Não tinha mulher que o esperasse ao fim do dia.

Não era um gato feliz,

Abraçava a noite negra

Como o seu pêlo escanzelado

Para comer dos caixotes do lixo.

Não era um gato sortudo

Nem azarado sequer,

Pois no fim do mês,

Nem água nem luz tinha para pagar.

O velho contentor em Lamaçães servia.

Estava ferido e humilhado,

Comia do lixo

E parecia alcoolizado.

Era sem dúvida um gato qualquer.

Os rapazes da escola atiram-lhe pedras à tarde,

E os cães ladram-lhe pela noite,

Quando passa pelo Bairro.

Aquele gato teve azar,

Era apenas um gato preto.

Quantos gatos pretos já eu vi,

Andando por aí…

 

Autor ©: Peter Lee Dolphein

Publicado em Jornal “Tribuna Pacense” –  Em 7 de Janeiro2005 

Last Modified April 28th 2007 Contact me Terms of Use & Privacy Go to top