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GATO PRETOPassei ontem à noite No Bairro Duarte Pacheco E vi aquele gato preto. Não era um gato com sorte. Não tinha descontos para a Segurança Social E trabalhava nas obras de manhã ao anoitecer. Não tinha mulher que o esperasse ao fim do dia. Não era um gato feliz, Abraçava a noite negra Como o seu pêlo escanzelado Para comer dos caixotes do lixo. Não era um gato sortudo Nem azarado sequer, Pois no fim do mês, Nem água nem luz tinha para pagar. O velho contentor em Lamaçães servia. Estava ferido e humilhado, Comia do lixo E parecia alcoolizado. Era sem dúvida um gato qualquer. Os rapazes da escola atiram-lhe pedras à tarde, E os cães ladram-lhe pela noite, Quando passa pelo Bairro. Aquele gato teve azar, Era apenas um gato preto. Quantos gatos pretos já eu vi, Andando por aí…
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Autor ©: Peter Lee Dolphein Publicado em Jornal “Tribuna Pacense” – Em 7 de Janeiro2005 |
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